AMOR E CONFLITOS COM RELAÇÃO AOS PAIS - Melanie Klein

AMOR E CONFLITOS COM RELAÇÃO AOS PAIS (Capítulo extraído do livro - Amor, Ódio e Reparação – escrito em 1937 por Melanie Klein (1882-1961) e Joan Rivière (2) (1883-1962). Este capítulo foi escrito por Melanie Klein (1)

“A luta entre amor e ódio, com todos os conflitos que desencadeia, instala-se, como procurei demonstrar, na tenra infância, mantendo-se ativa ao longo de toda a vida. Ela tem inicio com o relacionamento de amamentar-se na mãe, já se acham presentes sensações sensuais que se expressam nas agradáveis sensações sensuais que se expressam nas agradáveis sensações orais relacionadas com o processo de sugar. Não tarda que sensações genitais entrem em cena, diminuindo o desejo pelo seio materno. Esse desejo não desaparece totalmente, porem, permanecendo ativo na mente inconsciente e em parte também na mente consciente. Ora, no caso da menina pequena, a preocupação com o mamilo transforma-se num interesse, em sua maior parte inconsciente, pelo genital do pai, que passa a ser o objeto de seus desejos e fantasias libidinais.

Com a evolução do processo de desenvolvimento, a menina deseja o pai mais intensamente que a mãe, e alimenta fantasias conscientes e inconscientes de tomar o lugar da mãe, conquistando para si o pai e tornando-se sua mulher. Mostra-se também extremamente ciumenta dos filhos que a mãe possui, e deseja que o pai lhe dê bebes exclusivamente seus. Tais sentimentos, desejos e fantasias provocam rivalidade, agressividade e ódio contra a mãe, e somados aos ressentimentos que nutria contra ela devido às primitivas frustrações com o seio. Não obstante, fantasias sexuais e desejos referentes à mãe permanecem ativos na mente da menina pequena. Sob essa influencia ela aspira tomar o lugar do pai com relação à mãe, sendo que em certos casos esses desejos e fantasias podem desenvolver-se com maior intensidade do que os dirigidos ao pai.

Assim, ao lado do amor a ambos coexistem sentimentos de rivalidade para com ambos, e essa mescla de sentimentos é levada adiante em seu relacionamento com irmãos e irmãs. Os desejos fantasias vinculados com mãe e irmãs formam a base de relacionamentos homossexuais diretos na vida ulterior, bem como de sentimentos homossexuais que se manifestam indiretamente em forma de amizade e afeição entre mulheres. No curso normal dos acontecimentos tais desejos homossexuais passam para a retaguarda, são desviados e sublimados, e a atração pelo sexo oposto predomina.

Evolução semelhante ocorre no menino pequeno que desde cedo experimenta desejos genitais para com a mãe e sentimentos de ódio em relação ao pai, considerado como rival. Também nele, porem, desenvolvem-se os desejos genitais com relação ao pai, onde podem ser encontradas as raízes da homossexualidade masculina. Situações desse tipo dão origem a inúmeros conflitos – pois a menina, embora odiando a mãe, também a ama; e o menino ama o pai e gostaria de poupar-lhe o perigo decorrente de seus impulsos agressivos. Ademais, o objetivo principal de todos os desejos sexuais – na menina, no pai, no menino, na mãe – também desperta ódio e vingança, pelo fato de tais desejos verem-se decepcionados.

A criança revela também um intenso sentimento de ciúme para com irmãos e irmãs, na medida em que se apresentam como rivais no amor dos pais. Entretanto, ela também os ama, e assim novamente a esse respeito são despertados intensos conflitos entre impulsos agressivos e sentimentos de amor. Tal situação conduz tanto a sentimentos de culpa como a desejos de fazer o bem; uma combinação de sentimentos que tem importante significado não apenas em nosso relacionamento com irmãos e irmãs, já que os relacionamentos com as pessoas em geral acham-se modelados pelo mesmo padrão, mas também em nossa atitude social e nos sentimentos de amor de culpa e no desejo de fazer o bem, mais tarde na vida”.

Eu Fernando Vieira Filho (3) considero este capítulo uma verdadeira obra-prima de concisão que só a Doutrina Espírita complementa com lei da reencarnação. Por isso também, sempre considerei o fato de alguns pais tomarem banho junto aos filhos, muito perigoso, tanto no campo psicológico como no espiritual da reencarnação, e sérios problemas na área sexual irão surgir na fase da adolescência e adulta, destas crianças. Portanto devemos respeitar nossos filhos como seres humanos, que nos foram confiados pela Providencia Divina, para os orientarmos em sua difícil caminhada neste planeta.

(1) Melanie Klein (Viena, 30 de março de 1882 — Londres, 22 de setembro de 1961) foi uma psicanalista austríaca.

(2) Joan Rivière Hodgson (Brighton em 28 de junho de 1883 – Londres em 20 de maio de 1962) foi uma psicanalista britânica, que era ao mesmo tempo uma tradutora da obra de Freud do alemão para o Inglês e um escritora influente em sua época.

(3) Fernando Vieira Filho - Psicoterapeuta/clínico, palestrante e escritor. Autor do livro CURE SUAS MÁGOAS E SEJA FELIZ! – 2ª Ed. - Barany Editora - 2012. E coautor do livro DIETA DOS SÍMBOLOS – 6ª Ed. - Melhoramentos - 2004.

Nenhum comentário:

Postar um comentário