DEPRESSÃO - Como reconhecê-la


Por Fernando Vieira Filho

A depressão representa uma das doenças mais comuns da era moderna, mas já é conhecida desde a antiguidade. É um mal que acomete homens, mulheres e crianças, de todas as etnias e classes sociais, mas é duas vezes mais comum nas mulheres. Sentimentos de ódio contra si mesmo e contra os outros, infelicidade, inutilidade, culpa e vazio são normais e ocorrem em todas as pessoas após acontecimentos indesejáveis. Geralmente desaparecem algum tempo depois, não devendo ser encarados como depressão. Entretanto, deve-se ficar atento quando esses sentimentos se tornam habituais.
Vou explicar o que é a depressão. A depressão é uma doença caracterizada por um estado de humor deprimido. A pessoa fica angustiada, desanimada, sente-se sem energia e uma tristeza profunda, às vezes acompanhada de tédio e indiferença e um grande desamor por si mesma. Quando os sentimentos são muitos e confusos, a pessoa pode ter a impressão de que não tem sentimentos. As atividades normais do dia-a-dia passam a não ter mais importância e a pessoa passa a encarar até as tarefas mais simples como se fossem um grande esforço. A vida perde o "colorido" e a pessoa perde o interesse por tudo, inclusive seus hobbies preferidos, amigos e até a atividade sexual. Há mudança do apetite (que pode aumentar ou diminuir), ocorrem alterações no sono (sendo mais comum a insônia). Geralmente a pessoa deprimida prefere ficar isolada, num lugar onde possa ficar só. Assim, doença interfere com o trabalho e a vida da pessoa, podendo mudar até a maneira como o indivíduo pensa ou age. Pode levar o doente ao suicídio, a somatização de doenças muito graves e até acidentes bastante sérios (uma forma inconsciente de buscar a morte ou a incapacitação física).
Fisiologicamente a doença se manifesta quando há uma alteração na comunicação entre as células cerebrais, os neurônios, causado por um desequilíbrio químico-fisiológico. Essa comunicação é realizada por substâncias chamadas neurotransmissores. No caso da depressão, são importantes duas dessas substâncias: a serotonina e a noradrenalina. Elas estão envolvidas em todos os processos responsáveis pelos sintomas da doença.
Vamos agora passar as prováveis causas da depressão. Na depressão nem sempre é possível descobrir quais acontecimentos levaram ao seu desenvolvimento. Na maioria das vezes é uma doença que se apresenta com apresenta múltiplas causas, que interagem umas com as outras levando à sua apresentação clínica. Acredita-se que haja uma base genética, já que pessoas com história familiar de depressão apresentam maiores chances de desenvolver a doença. Associados a isso, podemos ter os seguintes fatores:
• Acontecimentos na vida que levam a grande tristeza: morte na família, crise e separação matrimonial, menopausa, parto, etc.
• Modo de encarar a vida, de forma pessimista, negativista
• Estresse e o ódio
• Problemas sociais como desemprego, solidão.
Esses fatores citados acima podem desencadear a doença em pessoas predispostas ou então levar por si só à depressão.
Algumas pessoas apresentam maior risco de desenvolver depressão, como por exemplo:
• Pessoas que já tiveram depressão (reincidência)
• Pessoas que têm familiares com depressão (fator genético)
• Pessoas que convivem freqüentemente com eventos adversos
• Pessoas com problemas de relacionamento, ódio, culpas, etc.
• Aqueles que sofrem de isolamento social, como: idosos, desempregados, marginalizados, minorias étnicas, mães solteiras
• Doentes com doenças auto-imunes, progressivas e degenerativas ou incapacitados de forma geral
• Mulheres nos 18 meses seguintes ao parto
• Pessoas que abusam de drogas, medicamentos, álcool.
Vejamos como reconhecer a depressão. Segundo estudos clínicos psiquiátricos, os critérios para o diagnóstico da depressão baseiam-se principalmente na intensidade e duração dos sintomas. Em geral, os pacientes apresentam:
• Sentimentos de inutilidade, baixa auto-estima, desamparo ou falta de esperança
• Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade, medos
• Dormir mais ou menos que o normal
• Comer mais ou menos que o normal, se alimenta mal
• Dificuldade em se concentrar ou em tomar decisões, falta de assertividade
• Perda de interesse em participar de atividades habituais e cotidianas
• Redução da libido (desejo sexual)
• Recusa em estar com outras pessoas
• Sentimentos exagerados de culpa, tristeza ou ódio (aparente ou não)
• Perda de energia ou sentimento de cansaço
• Pensamentos de morte e suicídio.

Importante lembrar que a depressão pode manifestar-se também por sintomas físicos ou psicossomáticos como dores de estômago, dores de cabeça, dores pelo corpo e nas costas, pressão no peito, subnutrição, entre outros.
Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a depressão tem cura. É importante que ao perceber os sintomas, a pessoa procure atendimento médico psiquiátrico e psicoterápico, pois o quanto antes for iniciado o tratamento mais rápido o doente voltará à sua vida normal. O tratamento medicamentoso pode ser realizado com o uso de antidepressivos alopáticos, podendo ser associado a homeopatia e a terapia com florais de Bach, sem que um interfira no outro, pois atuam em campos dimensionais distintos. É fundamental o apoio e a participação de familiares e amigos no sucesso do tratamento.
Os antidepressivos alopáticos constituem um grupo de medicamentos químicos que têm o objetivo de restabelecer o equilíbrio na comunicação dos neurônios. Atualmente temos vários tipos de antidepressivos, cada um com sua indicação específica de acordo com o médico psiquiatra.
Os antidepressivos alopáticos de um modo geral não causam sonolência, nem dependência e não precisam ser tomados para o resto da vida. Uma característica importante é que o início dos efeitos não é imediato, necessitando de um período de aproximadamente 3 a 4 semanas para começar a mostrar resultados. Da mesma forma, deve-se ter em mente que o tratamento da depressão é demorado, levando em média de 4 a 6 meses, podendo estender-se até um ano ou mais. Isso tudo vai depender da gravidade da doença e da resposta do paciente ao tratamento.
A psicoterapia holística é mais um instrumento terapêutico de grande importância, pois ajuda a pessoa a se conscientizar da doença e que precisa de ajuda e de se auto-ajudar, identificando em si mesma pontos importantes que possam ter contribuído para o desenvolvimento da depressão, ao mesmo tempo em que possibilita a elaboração de estratégias para driblar esses fatores. Associada a alopatia (prescrita pelo médico psiquiatra), a homeopatia e aos Florais de Bach, levam o tratamento a uma interação sinérgica de excelentes resultados.
Se notamos que um amigo ou familiar apresenta sintomas de depressão, o que fazer?
Em primeiro lugar deve-se compreender que a pessoa não tem culpa de estar deprimida, e que ela não pode simplesmente sair dela por conta própria. Tentar animar a pessoa deprimida, mostrando as coisas boas da vida, na maioria das vezes só piora as coisas. Você se sentirá frustrado e a pessoa deprimida se sentirá mais culpada ainda. Algumas atitudes, entretanto, podem ser extremamente úteis:
• Escutar a pessoa deprimida: encorajar a pessoa a falar sobre seus sentimentos, oferecer apoio; não tente resolver os problemas dela, apenas escute
• Não critique, pois as pessoas deprimidas são muito sensíveis e isso pode fazê-las desmoronar
• Não tome a depressão do outro como sua culpa
• Não pressione
• Não assuma as responsabilidades dela
• Não perca a paciência, a pessoa deprimida pode estar irritável
• Ofereça simpatia e compreensão e sugira a pessoa procurar ajuda de médico psiquiatra e um terapeuta competente.

Bibliografia
Whitfield, Charles L. A Verdade Sobre a Depressão - Alternativas para a Cura.CULTRIX
Lang, Susan S.; Thase, Michael E. Sair da Depressão - Novos Métodos para Superar a Distimia e a Depressão Branda Crônica. IMAGO
Americana, Associação Médica. Guia Essencial da Depressão. AQUARIANA

Fernando Vieira Filho é psicoterapeuta, é especialista em Terapia com Florais de Bach e autor do livro - Cure suas Mágoas e Seja Feliz! - Barany Editora - São Paulo 2012
(55 11) 99684-0463 (São Paulo e Brasil)
(55 34)  3077-2721  (Uberaba)
 

2 comentários:

  1. Com certeza, o tratamento psiquiátrico juntamente com florais de Bach é altamente eficaz.Atua nos diversos níveis do indivíduo, simultaneamente.

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  2. Sim. E verdadeiro, tudo isso acontece, se fazendo um diagnóstico junto de um psiquiatra. E associando os florais , o resultado e rápido.

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