Transtorno de Personalidade Anti-Social ou Sociopatia, ou como é conhecido vulgarmente: Psicopatia


Por Fernando Vieira Filho (1)

Hoje à tarde, desfrutando do feriado de sete de setembro ao lado de amigos, no terraço de um prédio na Avenida Paulista, pude observar, lá de cima, uma passeata contra a corrupção e, tendo em vista que, a meu ver, a corrupção nos meios políticos é um comportamento Anti-Social, resolvi pesquisar e escrever este texto e estudo sobre esse transtorno que afeta, de forma direta ou indireta, todo ser humano em nosso Planeta.

O CID.10 (Classificação Internacional de Doenças, da OMS) considera a Personalidade Anti-Social como sinônimo de Transtorno Amoral da Personalidade, Transtorno Associal da Personalidade, Personalidade Psicopática ou Sociopatia.

Como perceber esse transtorno em uma pessoa, observando que ele pode se manifestar desde a infância: - Atitude aberta de desrespeito por normas, regras e obrigações sociais de forma persistente.
- Estabelece relacionamentos com facilidade, é envolvente, fala daquilo que seu interlocutor “quer ouvir”, principalmente quando é do seu interesse.
- Baixa tolerância à frustração e facilmente explode em atitudes agressivas e violentas, principalmente quando é surpreendido ou descoberto em pequenos ou grandes delitos.
- Incapacidade de assumir culpa ou se responsabilizar pelo que fez de errado, ou de aprender com as punições.
- Tendência a culpar os outros ou defender-se com raciocínios lógicos - geralmente, tem uma inteligência acima da média -, porém, improváveis.
- Possui um egocentrismo exageradamente patológico.
- Emoções superficiais, teatrais e falsas.
- Falta de empatia com outros seres humanos, ausência de sentimentos de remorso e de culpa em relação ao seu comportamento.
- Sente prazer em maltratar animais.
- Uma pessoa geralmente cínica, incapaz de manter uma relação leal e duradoura, manipuladora e incapaz de amar.
- É exageradamente mentirosa, sem constrangimento ou vergonha, subestima a insensatez das mentiras, rouba, abusa, trapaceia, manipula dolosamente seus familiares e parentes, coloca em risco a vida de outras pessoas e, decididamente, nunca é capaz de se corrigir.

Enfim, esse conjunto de características faz com que o sociopata seja incapaz de aprender com a punição ou incapaz de modificar suas atitudes.

Quando o sociopata descobre que seu teatro já está descoberto, ele é capaz de dar a falsa impressão de arrependimento, falseia dizendo que mudará "daqui para frente", mas nunca será capaz de suprimir sua índole maldosa. Não obstante, ele é artista na capacidade de disfarçar, de forma inteligente, suas características de personalidade.

Na vida social, o sociopata costuma ter um charme convincente e simpático para as outras pessoas e, não raramente, tem uma inteligência normal ou acima da média.

Devido ao fato de os sociopatas não demonstrarem sintomas como uma doença mental qualquer, na década de 60 o movimento norteamericano chamado anti-psiquiatria recomendou que os sociopatas fossem excluídos das classificações psiquiátricas. Dizia-se, na época, que a alteração do sociopata era de natureza moral e ética e, para problemas éticos, as soluções tinham que ser éticas (cadeia), e não médicas.

A teatralidade e manipulação social dos sociopatas é tão convincente que poucas pessoas, após algum contato duradouro com eles, são capazes de imaginar o seu lado negro, mau e perverso. Esses atributos os sociopatas podem esconder durante toda vida. Vítimas fatais de sociopatas violentos percebem seu verdadeiro lado apenas alguns momentos antes de sua morte.

Como a psiquiatria e psicologia não têm uma avaliação unicamente binária da situação, como o ortopedista que considera um braço quebrado ou não quebrado, a sociopatia tem várias gradações, desde os socialmente perniciosos, passando pelas personalidades odiosas, até criminosos brutais do tipo “Maníaco do Parque".

Normalmente, os sociopatas não têm o tipo mais comum de comportamento agressivo explícito das pessoas comuns. Eles costumam dissimular perfeitamente a intenção agressiva e violenta, atendo-se à intimidade doméstica ou agindo sorrateiramente. Trata-se, de fato, de uma agressão predatória, fria e bem planejada, intencional e pouco emocional.

Muitas personalidades conhecidas no campo da política, da polícia, das finanças e do mundo corporativo podem portar o caráter sociopático. Felizmente, apenas uma pequena parte dos sociopatas se transforma em criminosos violentos, estupradores e assassinos seriais.

Parece haver um amplo consenso entre os profissionais da saúde mental que a sociopatia é intratável.

Vejamos o que diz a Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva em seu livro Mentes Perigosas: O psicopata mora ao lado - “Sem conteúdo emocional em seus pensamentos e em suas ações, os psicopatas são incapazes de considerar os sentimentos do outro em suas relações e de se arrepender por seus atos imorais ou antiéticos. Dessa forma, não aprendem por meio de experiência e por isso são intratáveis do ponto de vista da ressocialização”

A escala de valores do sociopata é tão precária (ou inexistente) que ele próprio se considera predador social e, geralmente, sente expressivo orgulho disto.

Todos os dias, nas novelas, vemos personagens sociopatas; assim como podemos encontrá-los atuando através de ações corruptas e antiéticas nos noticiários de TV, jornais e revistas. O mais lamentável disso tudo é que as mídias, de forma geral, costumam dar notoriedade justamente para esses predadores, através das capas das revistas, das manchetes dos jornais e da repetitiva exposição televisiva.

Portanto, caro leitor, é fundamental se proteger desses "lobos" travestidos de "ovelhas". Como? A melhor maneira é saber dizer "não!", de forma assertiva e sem culpa. Eles detestam escutar um não, e, nessa hora, costumam se colocar na posição de vítimas. Dessa forma, esteja atento: Cuide-se e dedique a essas pessoas suas preces. Como ensinou o pastor e escritor norteamericano Dr. Norman Vincent Peale, quando você se deparar com qualquer pessoa complicada e difícil, imagine a figura de Jesus Cristo ao lado dessa pessoa e procure vibrar com sentimento de compaixão.

Quanto ao psicopata consciente de seu drama existencial, sugiro que procure um profissional de saúde mental habilitado, para auxiliá-lo com medicamentos e psicoterapia adequada. Junto a isso, é fundamental que cultive religiosidade, seja em que religião for, lembrando que a mudança é um evento pessoal e intransferível.

(1) Fernando Vieira Filho
Psicoterapeuta/Escritor
(55 11) 99684-0463 (São Paulo e Brasil)
(55 34) 3077-2721 (Uberaba)
www.harmoniacomflorais.com
http://curesuasmagoasesejafeliz.blogspot.com.br/
Fontes:

DSM.IV, CID.10

SHINE. Kiyoshi S. Psicopatia - São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.

SILVA. Ana B. B. Mentes Perigosas: O psicopata mora ao lado - Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.

BECK, Aaron. Terapia Cognitivista dos Transtornos da Personalidade - Belo Horizonte: Artmed, 2005.

4 comentários:

  1. Eu fui casada com um.me dizia tudo o que queria ouvir sempre.Se comportava na minha frente e de seus familiares e amigos como um caráter exemplar.Tinha outra vida por trás dessa capa de mentira.Saía com prostitutas,usava drogas e álcool.Quando foi descoberto negou tudo,jurava ,chorava .quando descobri foi embora,na maior cara de pau,como se nunca tivesse sentido nada por ninguém.na verdade ,só amava a ele mesmo.

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    1. Realmente é um drama. Mas para se defender deste lobão e de outros que poderão aparecer em sua vida, aprenda a dizer NÃO, quando for não. Os psicopatas detestam escutar um não.
      P.S. não tente desmascará-lo ou processá-lo, eles sempre conseguem inverter o "jogo". Todo cuidado é pouco. Eles não são seres humanos, como nós.
      Um forte abraço
      Fernando vieira Fiho - Autor do blog.

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    2. Psicopatas não são lobos, lobos caçam em bando.

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  2. Pelo q eu estudei os psicopatas tem todas as características de pessoas com transtorno antissocial mas nem todo antissocial é psicopata qual a diferença?

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