É preciso perdoar










(Capítulo do livro “ACORDANDO PARA A VIDA – Lições para sua transformação interior – de Eliana Barbosa – Novo Século Editora)

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Com tantos acontecimentos tristes e chocantes que acontecem cotidianamente, e com tantas pessoas sofrendo com a violência, é hora de parar de se lamentar e de fazer comentários negativos e começar a refletir sobre o valor que terá a sua vida se a viver com ódio e desejo de vingança.
Cuidado: Sentir ódio é o mesmo que tomar um veneno, querendo que o inimigo morra. Você quer viver toda a sua vida envenenado?
Todos os seres humanos, mais dia, menos dia, passam por alguma situação em que os seus mais elevados sentimentos são colocados à prova. Nesses momentos, você sente a dor da mágoa e o sofrimento causado pela falta de bondade de alguém. Aí, é chegada a hora de mostrar a você mesmo e ao mundo o seu valor, a sua nobreza de sentimentos, esforçando-se para perdoar e repudiar a vingança. Vingar-se é igualar-se ao malfeitor, alimentando o ódio nos corações envolvidos pela dor.
O perdão consiste em desapegar-se da experiência negativa vivida e situar-se no presente, no aqui e agora. Não julgue as pessoas pelos seus atos nem pela aparência, porque, por trás de cada situação, há sempre um turbilhão de dificuldades que você desconhece. Lembre-se que seus ofensores, um dia, também foram bebês risonhos e frágeis.
“Sentir ódio é como beber água salgada: aumenta mais a sede” (Sabedoria chinesa).
Há pessoas que, amarradas pelo rancor, se negam a perdoar, achando que ceder ao perdão significa fraqueza, covardia e humilhação. Porém, perdão não é sinônimo de impunidade. Perdoar não significa tolerar um comportamento que o prejudique nem esquecer completamente a dor causada, porque isso, muitas vezes, é difícil. Os atos criminosos cometidos devem sempre ser punidos por meios legais, e o agredido, para se libertar, deve conduzir sua própria vida de forma pacífica, lembrando-se sempre de fazer aos outros o que gostaria que lhe fosse feito.
Mahatma Gandhi (1869-1948), no final de sua existência, quando lhe perguntaram se ele havia perdoado todas as ofensas que recebera, respondeu: “Nunca perdoei ninguém, pois nunca fui ofendido.” Citando o seu biógrafo Huberto Rohden: “ [...], atingiu o Mahatma um estágio evolutivo para além do vingar dos viciosos e para além do perdoar dos virtuosos; conseguiu não ser atingido por ofensa alguma; [....] conseguiu não se sentir mais ofendido, tornar-se absolutamente inofendível.”
Então, caro leitor, se você ainda não alcançou essa condição evolutiva, continue a burilar os seus sentimentos. Está comprovado que alimentar ressentimentos e culpas em relação ao passado, censurar-se e olhar o futuro com medo são padrões de pensamentos que sustentam as doenças e o mal-estar, podendo até destruir o seu corpo. A mágoa estocada corrói o organismo e transforma-se na doença conhecida como câncer. Pessoas acometidas dessa doença podem iniciar o processo de autocura descobrindo a quem precisam perdoar, e dispondo-se, de coração aberto, a fazê-lo.
Talvez você ainda não saiba como perdoar, mas, a partir do momento em que você perceber a necessidade e a importância do perdão, o Universo acolherá o seu desejo e o apoiará nessa sublime tarefa de libertação interior.
Outras dificuldades decorrentes da falta de perdão são os problemas financeiros, que também se resolvem quando você decide perdoar aqueles que um dia machucaram os seus sentimentos.
Como sempre diz a escritora e conselheira norte-americana Louise L. Hay (que tive a felicidade de conhecer pessoalmente, nos EUA, no ano de 2008), perdoar é reconhecer que existe algo mais importante a fazer com a maravilhosa energia da vida, e procurar pensar somente no bem que você pode realizar.

                                                          PAUSA PARA REFLEXÃO

OS PREJUÍZOS DO RANCOR E DA VINGANÇA
Autor desconhecido
Juca, um menino de 8 anos, chegou em casa muito nervoso, dizendo ao seu pai que estava com muita raiva do seu colega Beto. Disse que Beto o humilhou perante os outros colegas e que, por isso, queria que muita coisa ruim acontecesse com ele... Queria que Beto ficasse doente, que perdesse a prova do dia seguinte, que caísse da bicicleta...
Seu pai, homem simples, mas cheio de sabedoria, deixou o filho desabafar. Depois, levou-o até o quintal, deu-lhe um saco cheio de carvão e lhe disse:
— Juca, faça de conta que aquela camisa branca que está secando no varal é o Beto, e que cada pedaço de carvão que você atirar na camisa é um mau pensamento seu, endereçado a ele.
Juca entusiasmou-se e atirou todo o carvão na camisa, se bem que poucos pedaços atingiram o alvo. Quando terminou, mesmo cansado, Juca estava satisfeito com os poucos pedaços que conseguira acertar na camisa.
Então, seu pai levou-o até o quarto e colocou-o diante de um grande espelho, onde ele pôde ver-se por inteiro. Que susto! Era uma sujeira só! Aí, seu pai lhe disse, ternamente:
— Meu filho, você viu que você se sujou mais que a camisa? O mal que desejamos aos outros é como o carvão que você atirou: atingiu mais você que o seu alvo! Por mais que possamos prejudicar a vida de alguém com os nossos pensamentos, os mais prejudicados sempre somos nós... Portanto, cuidado com seus pensamentos, pois eles se transformam em palavras; cuidado com suas palavras, pois elas se transformam em ações; cuidado com suas ações, pois elas se transformam em hábitos; cuidado com seus hábitos, pois eles moldam o seu caráter; e cuidado com seu caráter, pois ele controla o seu destino.

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