Em defesa das mulheres e das famílias


Por Eliana Barbosa*

A novela Insensato Coração, de Gilberto Braga, que vai ao ar em horário nobre na principal emissora do país, a TV Globo, tem me feito refletir muito sobre a imagem da mulher nos meios de comunicação.
Durante anos a mulher lutou pelos seus direitos e hoje conquista cada vez mais destaque no mercado de trabalho. O ápice dessa conquista deu-se com a eleição de uma mulher à Presidência da República . O meio político sempre foi dominado pelos homens, mas Dilma Roussef se impôs e conquistou o cargo de Presidente.
Por isso me causa espanto justamente no horário em que as famílias estão reunidas para relaxar, conversar e assistir televisão, assistirmos a uma novela repleta de mulheres “fáceis”, desesperadas pelos seus homens; mulheres casadas traindo seus maridos escancaradamente; mulheres interesseiras e outras vulgares; mulheres inseguras que aceitam ser maltratadas por seus companheiros; além das ingênuas que acreditam em cafajestes que fazem questão de depois as chamarem de “vagabundas”.
E culminamos com a personagem Bibi, interpretada pela atriz Maria Clara Gueiros. Ela me parece uma ninfomaníaca que deveria ter sua doença sendo tratada com seriedade e não como uma brincadeira. Entendo que a personagem faz parte do núcleo de humor da novela, mas a questão é: o sexo pelo sexo, o sexo sem preservativo, o sexo com desconhecidos pode trazer conseqüências sérias como: gravidez indesejada, DSTs. Será que a novela vai mostrar isso? Porque não me lembro de nenhuma cena em que a personagem fala sobre preservativo.
Não que eu seja moralista. Tenho duas filhas jovens e sei como é o universo feminino. E, é exatamente por conhecê-lo, por ter uma neta, é que me preocupo.
A mulher conquistou o seu espaço, mas toda aquela força vista externamente, às vezes é só uma casca.
Muitas delas, por decepções em seus relacionamentos amorosos, estão com a autoestima em frangalhos, lotando baladas em busca de companhia a qualquer custo, e isso é lamentável.
Ouço histórias e mais histórias e todas são muito parecidas.
Antigamente era só ficar, hoje o ficar vai além do beijo na boca... A mulher vai para a casa do rapaz, ele vai para a dela, ou eles vão ao motel, não importa; o fato é que no dia seguinte cada um vai para o seu lado, muitas vezes sem nem trocar telefone. Para o homem fica a sensação de mais uma conquista, mas para grande parte das mulheres a sensação é de vazio. A verdade é que os relacionamentos tornaram-se descartáveis para ambos os sexos.
Voltando à novela, todos esses exemplos podem deixar informações erradas no subconsciente feminino, principalmente das mais jovens. A meu ver a televisão precisa ter uma função mais educativa e tranqüilizadora. Se na vida real algumas mulheres não sabem medir o seu verdadeiro valor, seria muito bom se pudessem ao menos se inspirar em mulheres fortes e determinadas na novela, em que estas personagens as ensinassem sobre relacionamentos e superação. Aí sim, a televisão estaria exercendo o seu papel social.
Com a novela Insensato Coração minha maior preocupação é em relação à mente das crianças e jovens que assistem, pois o desrespeito à mulher e à família é algo corriqueiro nos capítulos diários, fortalecendo essa inversão de valores que, infelizmente, o nosso mundo vive.
Espero que, ao longo da trama, o autor promova mudanças em algumas personagens femininas, tal como está fazendo com Carol (Camila Pitanga) que, depois de tanta insegurança, começou a fortalecer sua autoestima e está se desligando emocionalmente de André (Lázaro Ramos), o pai de seu filho.
Quero ver muitas mulheres tomando posse da sua coragem, da sua força, da sua garra.
Afinal, ninguém valoriza quem não se valoriza!




*Eliana Barbosa é Consultora em Desenvolvimento Humano, articulista de jornais e de revistas de circulação nacional e internacional, autora dos livros “ACORDANDO PARA A VIDA – Lições para sua transformação Interior”, “O ENIGMA DA BOTA – Enfrentando a sucessão empresarial com equilíbrio e sabedoria” e “CARA A CARA COM ALGUÉM MUITO ESPECIAL – Histórias e lições inspiradoras para você se conhecer... e vencer!” (Novo Século Editora), produtora e apresentadora de programas motivacionais em TV e rádio, e ministra palestras e cursos transformacionais sobre desenvolvimento pessoal e profissional, por todo o país.

Conheça melhor as suas atividades profissionais no site www.elianabarbosa.com.br.

Contato: eliana@elianabarbosa.com.br

2 comentários:

  1. Ana Luiza Libânio Dantas comentou sua nota "EM DEFESA DAS MULHERES".
    Ana escreveu: "Querida Eliana, se me permite, assino embaixo! Como trabalho com educação vejo e até mesmo sinto na pele a inversão de valores. Hoje o que vemos são jovens e crianças que já não sabem mais quem respeitar. Aliás, muitos sequer conhecem esse verbo. É lamentável o que se passa nas salas de aula. Isso só me leva a crer que em casa situação semelhante ocorre. Onde estão os pais que não ensinam a seus filhos o respeito, a autoestima e o amor? E você tem razão, a televisão deveria então exercer seu papel social. Mas bem, temos aí uma questão que se estende para além de simplesmente "a televisão deveria fazer". Porque se pensarmos bem, a televisão deve sim mostrar, pois a realidade está aí para vermos. O ponto é: Não deveria a TV abrir o espaço para o debate? Encerro com um exemplo de uma das situações que vi: Duas jovens trocam fotografias que fizeram de si. Elas são bonitas, por que não posarem nuas? Claro! As moças na TV fazem isso. Fazem isso nas revistas. A curiosidade e a vontade de ser igual e aceita, já que em nossa sociedade as bonitas são as queridas, são naturais, no entanto, não é natural a ausência dos pais para explicar que isso não é adequado a jovens moças menores de idade. Também onde estão os pais para falar dos perigos da atitude delas? Onde estão os pais para mostrar valores e incentivar as garotas a terem autoestima e entender que não precisam "vender o corpo" para serem aceitas. Então, Eliana, acho que a grande questão é: Onde está o diálogo? Sinto falta disso. Acho que hoje em dia, poucas são as famílias que usam o horário nobre para conversar, trocar experiência, aprender, ensinar. Poucas são as famílias que interagem. E quanto ao universo feminino, esse aí me renderia mais um comentário longo! Mas para não deixar de tecer algo lanço um questionamento: Por que será que a mulher ainda se deixa ser comercializada (propaganda de cerveja, feiras de automóveis, "outdoors" de grifes, etc.)? Também não sou moralista, mas acho que estamos longe de chegar à igualdade. E o caminho até lá é árduo. Um grande abraço da amiga, Ana"

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  2. Herenilda escreveu:
    "Muito pertinente, a sua análise, Eliana.Como profissional na área da saúde, me deparo, quase que diariamente,com gravidez precoce na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis e drogadição. Me pergunto onde a guerra pela audiência ainda vai levar algumas emissoras de televisão!"

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