Carta a Srta. S., aluna da Florida Christian University em Orlando - EUA


Nesta semana uma aluna brasileira da Florida Christian University em Orlando - EUA, que vou chamar de Srta. S. me solicitou que a esclarecesse do que realmente se trata essa desordem de personalidade anti-social, conhecida como sociopatia ou psicopatia. Pois ela já havia lido meu artigo neste link: http://harmonize-se-com-florais-de-bach.blogspot.com/2011/09/transtorno-de-personalidade-anti-social.html#links
Penso que possa ser uma dúvida de vocês também, portanto compartilho a carta via email que mandei para ela.

Cara Srta. S. Bom dia!

O psicopata não é um doente mental da forma como nós o entendemos. O doente mental é o psicótico, que sofre com delírios, alucinações e não tem ciência do que faz. Vive uma realidade paralela. Quando comete crimes, tem atenuantes.

O psicopata, ou contrário, sabe exatamente o que está fazendo. Ele tem um transtorno de personalidade e, não uma doença mental. É um estado de ser, no qual, existe um excesso de razão e ausência completa de emoção, sentimento. Ele sabe o que faz, com quem e por quê. Mas não tem empatia (a capacidade de se pôr no lugar do outro com ninguem.

E mais ainda Srta. S., os psicopatas nascem com uma estrutura cerebral diferente. Os seres humanos têm o chamado sistema límbico, que é a estrutura cerebral responsável por nossas emoções. É uma espécie de central emocional, o "coração" da mente. Em 2000, dois brasileiros, o neurologista Ricardo Oliveira e o neurorradiologista Jorge Moll, descobriram a prova definitiva dessa diferença da mente psicopata, por meio da chamada ressonância magnética funcional, que mostra como o cérebro funciona de acordo com diferentes atividades. Nesse exame, mostraram imagens boas (belezas naturais, cenas de alegria e prazer) e outras chocantes (morte, sangue, violência, crianças maltratadas). Nas pessoas normais, o sistema límbico reagia de forma diversa. Nos psicopatas, não há diferença. O sistema límbico dessas pessoas não funciona. Um belo pôr do sol ou uma criança sendo espancada geram as mesmas reações. Da mesma forma, não há repercussão no corpo. Eles não têm taquicardia, não suam quando nervosos. Por isso, eles passam tranqüilamente por detector de mentiras (polígrafo), sem serem notados.

E mais Srta. S., cerca de quatro em cada cem pessoas, segundo uma estatísticas da SAMHSA (Administração dos Serviços de Saúde Mental e Abuso de Substâncias) aí dos Estados Unidos. Mais homens do que mulheres. Todos têm em comum a ausência do sentimento em relação às outras pessoas. Não conseguem se colocar no lugar do outro, daí agirem de forma fria e sem arrependimentos. O que caracteriza o psicopata não é o nível do crime, mas a forma como ele o comete, a predisposição para planejar e executar sem nenhum sentimento em relação à vítima.

Você já deve ter se perguntado, como saber se estamos convivendo com um psicopata?

Não é tão fácil detectá-los, especialmente quando temos alguma ligação afetiva com eles. Maridos que espancam suas esposas, por exemplo: as estatísticas mostram que 25% são psicopatas, e grande parte destas esposas, não aceitam a verdade. Mas há algumas características básicas entre eles: falam muito de si mesmos, mentem e não se constrangem quando descobertos, têm postura arrogante e intimidadora por um lado, mas são charmosos e sedutores por outro. Costumam contar histórias tristes, em que são heróis e generosos. Manipulam as pessoas por meio de elogios desmedidos. e se você começar a desconfiar de alguém, desconfie dos bajuladores excessivos. Chefes também podem ser psicopatas – que costuma se manifestar pelo assédio moral aos funcionários. Um dado interessante é que eles não sentem compaixão, pena, remorso. Mas sabem, de forma cognitiva, o que é ter esses sentimentos. Daí representarem tão bem – e às vezes exageradamente – o papel de vítima.

E mais, a maioria das vítimas, quase sempre são pessoas generosas, em especial aquelas que não sabem dizer "não" e, também, não acreditam no mal e costumam tentar justificar as atitudes de todo mundo.

É um equívoco pensar que apenas assassinos seriais são psicopatas, existem assassinos passionais que jamais matariam novamente. Um exemplo é uma cliente minha que matou o estuprador do filho dela de quatro anos. Ela nada tem de psicopata. Ao contrário, apesar da violência, o crime dela pode ser compreensível para muitas mães. Ao passo que um psicopata, pode nunca ter a necessidade de assassinar, resolvendo suas questões “matando vidas” afetivas e financeiras, prejudicando pessoas de forma irreversível, mas sem matá-las. Como por exemplo, os estelionatários que aplicam pequenos e grandes golpes, alguns políticos corruptos etc. Na população carcerária, segundo pesquisas feitas no Canadá e nos Estados Unidos, há de 20% a 25% de psicopatas.

Ficou mais claro Srta. S.?

Abraços e bom estudo.

Fernando Vieira Filho é psicoterapeuta, é especialista em Terapia com Florais de Bach e autor do livro - Cure suas Mágoas e Seja Feliz! - Barany Editora - São Paulo 2012
(55 11) 99684-0463 (São Paulo e Brasil)
(55 34)  3077-2721  (Uberaba)
 

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