RESENHA DO LIVRO - CURE SUAS MÁGOAS E SEJA FELIZ!


                      Cure Suas Mágoas e Seja Feliz!

Autor(a): Ana Lucia Santana é jornalista e mestra em Teoria Literária

Data: 03/10/2012

Esta obra com certeza deveria figurar na cabeceira de todos os leitores que desejam mudar os rumos de suas vidas. Não é uma história criada para degustar em um único gole, e sim uma leitura destinada a uma lenta avaliação do paladar, a uma profunda meditação.

Fernando se inspira em seu sogro, Dr. Elias Barbosa, um ilustre e renomado psiquiatra, já morto, com quem conviveu por mais de 30 anos, para compor um personagem apaixonante e inesquecível. Dr. Eck Barth é um ícone da psiquiatria germânica e nos anos 70 vive na Montanha Azul, uma bela região austríaca. Prêmio Nobel da Paz por sua militância humanitária junto aos tibetanos, subjugado pelos governantes comunistas da China, é famoso também por seu clássico Os Anjos do Himalaia.

A história tem início quando outro psicoterapeuta, Kai Schoppen, mergulhado em um grave conflito com a própria mãe, recebe uma revelação surpreendente: seu ídolo dos tempos de Universidade está vivo e foi encontrado nas redondezas da cidade de Bergkarmel, ao sul da Áustria. Perplexo, ele pressente que sua alma encontrou finalmente um sentido para sua existência e decide contatar alguém próximo ao estudioso da mente humana.

Sua vida gira agora em torno da ideia de conhecer pessoalmente o mestre por tanto tempo reverenciado. E qual não é sua surpresa quando recebe um retorno do próprio médico? Em uma correspondência afetuosa ele o convida para passar sete dias em sua casa enquanto lhe transmite o conhecimento desejado.
Kai encontra no sábio profissional um pai e um mestre, e se encanta com sua filha, Kristin. Através das entrevistas e questões do protagonista o leitor vai gradualmente desvendando segredos essenciais da alma humana. Cada capítulo traz um novo aprendizado e é precedido por uma epígrafe que define seu tema principal.
Eck nos surpreende ao estabelecer laços tão estreitos entre o amor e o ódio. Ele os define como sentimentos irmãos que devem estar em equilíbrio entre si para que as pessoas possam estar física e mentalmente saudáveis. Porém quando a decepção, uma poderosa vilã, entra em cena, este cenário é alterado. Então normalmente o ódio se intensifica e emerge enquanto o amor perde forças e submerge.


É neste contexto que o ser humano deve apelar para um herói incansável, o perdão. O famoso e humilde psiquiatra esclarece que este personagem não deve ser confundido com nossas emoções, e sim definido como um instrumento ao qual se deve recorrer incessantemente, sempre que necessário.

Pois perdoar não é esquecer no sentido de perder a memória, e sim no de despojar o ofensor do papel principal de nossa história, relegando-o à mera posição de figurante. Assim, as feridas causadas pelo ódio podem reabrir, e o perdão deve novamente ser exercitado, como os machucados que exigem sempre um novo curativo, daí a analogia traduzida de forma brilhante na capa do livro.

Quando o ser se conscientiza de seu ódio ele já está praticamente preparado para aprender a perdoar. Mas a princípio ele é negado, pois é um sentimento discriminado pelas religiões tradicionais, considerado pecado mortal. Por esta razão é travestido de outros rótulos, tais como mágoa, raiva e ressentimento.

Todavia o Doutor Eck desenvolveu uma fórmula especial e generosa; ele atende o paciente com franqueza e apurada percepção. Destemido, vai direto ao ponto e sua linha terapêutica conquista frutos céleres e eficientes. Seus assistidos são conduzidos por uma breve jornada ao passado, particularmente à infância, pois é neste estágio que residem os traumas e bloqueios originais.

Afinal, os pais são os primeiros a amar seus filhos, e também os que mais cedo os decepcionam, despertando-lhes o ódio próprio de quem é meramente humano. Este sentimento pode ser simplesmente passageiro e desaparecer sem deixar marcas mais profundas. Ou provocar danos morais e emocionais que se perpetuam, abalando a saúde e até mesmo a vida profissional e financeira do paciente. Até que ele seja capaz de perdoar e assim se libertar, tornando-se saudável e próspero.

Ao longo da narrativa, estruturada na terceira pessoa, Eck discorre sobre questões essenciais, como a depressão, os transtornos de personalidade, a psicopatia, os abusos físicos e mentais, a origem emocional das enfermidades, a ligação entre distúrbios mentais e desequilíbrios espirituais, a homossexualidade, conflitos político-sociais, os problemas que afligem o Tibete, sempre à luz da relação entre o ódio, o amor e o perdão.

O autor recorre a experiências pessoais em seu próprio consultório para tecer seus personagens. Por questões éticas ele transfere a trama para o cenário austríaco na década de 70 e altera os nomes de seus pacientes, mas todos os casos aqui descritos são reais, assim como seus desdobramentos.

Isto nos surpreende, emociona, e confere maior legitimidade a sua tese, especialmente se temos a coragem de aplicar a nós mesmos suas orientações e técnicas eficazes, como a Terapia do Perdão, a Terapia do Cólon e a do Espelho. Impossível não nos identificarmos com uma ou outra passagem do livro, ou não nos lembrarmos de alguém que também necessita dessa leitura.

Esta obra transformadora nos oferece uma passagem mágica para dentro de nós mesmos e aí temos a oportunidade de nos deparar com um herói atípico que pode nos trazer liberdade e felicidade, o perdão. Esta varinha de condão, ao contrário do que se imagina, não gratifica a alma alheia, mas sim a nossa.

Fernando Vieira Filho é psicoterapeuta, é especialista em Terapia com Florais de Bach. Natural de Uberaba, Minas Gerais, ele adota a linha sistêmica, uma escola contemporânea que mescla Física Quântica e Psicologia Transpessoal. Este campo vê o Homem como um ser integral, do ponto de vista orgânico, psíquico, emocional e espiritual. Hoje o autor se dedica aos estudos de especialização em Psicossomática segundo a visão Junguiana.

Fonte:

Fernando Vieira Filho. Cure Suas Mágoas e Seja Feliz! Editora Barany, São Paulo, 2012, 222 pp.

Um comentário:

  1. Parabéns a autora da resenha, ela coaptou tudo!

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