O SENTIMENTO DE CULPA – PERIGOSO E ÚTIL

Por Fernando Vieira Filho (1)

No começo da Idade Média, as “algemas” da culpa foram metodicamente “plantadas” na mente dos cristãos medievais. Com isso, a religião formal da época construiu um “amplo cárcere” que aprisionou consciências por séculos. Dessa forma a culpa se tornou parte integrante em nossa vida, tornou-se um tormento existencial, cujos reflexos ainda ecoam fortes em nosso inconsciente “coletivo” e pessoal, até os dias atuais. Seus reflexos foram e são “somatizados” na forma da loucura, depressões e outros transtornos mentais, assim como cânceres variados, doenças autoimunes etc. E não sabemos até quando...

Existem sentimentos de culpa sem motivo, por exemplo - a culpa de quem perdeu amigos, parentes e sobreviveu ileso aos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, ou por um acidente que causou a morte de parentes e amigos e, em geral, tem dificuldade para aceitar o fato de estar vivo após o evento trágico. Seria uma espécie de culpa inocente, mas com variantes incontáveis e perigosas, pela possibilidade de autopunições, que os levam a "fazer" doenças e insucessos diversos.

Existem pessoas que se sentem mal por serem mais bonitas, ricas e saudáveis que outras. Há pessoas que tem sentimentos de culpa, chamada "altruística", relacionados a um senso de dever muito amplo - aqueles que nos levam a fazer de tudo, até terminar o trabalho que cabe aos colegas, para evitar prejuízos para maioria.

Embora a culpa seja um sentimento pesado, doído e muitas vezes inútil, ela tem um papel fundamental na vida de relações do ser humano: ela pode ser útil e construtiva, quando gera uma "luta" interior que faz surgir em nós atitudes que beneficiem outras pessoas tais como: ter limites, ser mais gentil, economizar dinheiro, água, comida, gestos de gratidão, generosidade etc. Pensemos nas doações feitas por Andrew Carnegie, Henry Ford, Bill Gates e outros milionários, mas também numa criança que divide o lanche com o coleguinha.

Portanto, temos que trabalhar de uma forma consciente e também metódica o autoperdão. Devemos sempre caminhar na "linha" do bom-senso. Quando você se sentir culpado, seja por qual motivo for, pergunte-se: “Hoje, eu faria o que me causou a culpa, novamente?” Se não, parabéns! Siga em frente! Coloque num envelope sua culpa e, guarde-o nas "gavetas" do passado.

(1)Fernando Vieira Filho -Psicoterapeuta/clínico, palestrante e escritor. Autor do livro CURE SUAS MÁGOAS E SEJA FELIZ! 2ª edição - Barany Editora - 2012. E coautor do livro DIETA DOS SÍMBOLOS - 6ª edição- Melhoramentos - 2004.

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